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TONY
HITS: O EMBAIXADOR DO SAMBA-ROCK
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A loja Tony Hits fica em pleno centro de
São Paulo, no olho do furacão:
avenida Rio Branco número 90. Ainda
assim pode parecer escondida, já
que para entrar lá é preciso
passar antes por um salão de baile,
o Green Express. Durante
o dia, ao cruzar esse acesso incomum a uma
loja de discos, você sentirá
o clima de festa no ar. É o que resta
das noites que embalam o salão. Lá
no fundo se encontram as raridades: a loja
com as paredes tomadas por capas psicodélicas,
as prateleiras repletas de vinis usados,
pôsteres raros e o teto revestido
de antigos panfletos de festas.
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Aos
13 anos Tony Hits conheceu a
música de Ray Charles e juntou uns trocados
para comprar seu primeiro vinil. Ainda sem seu
próprio toca-discos, visitava os amigos
com o disco do pai do soul embaixo do braço,
para poder ouvi-lo. Em razão da pouca idade,
só podia freqüentar bailes familiares.
Quando conseguiu comprar seu próprio toca-disco,
passou a prestar atenção nas músicas
que rolavam nos bailes do bairro: Roberto Carlos,
Wilson Simonal, Jorge Ben, Wanderléia,
Dóris Monteiro, Sérgio Murilo, Erasmo
Carlos, Celly Campelo, Renato e Seus Blue Caps,
dentre outros.
No
início dos anos 70 o jovem Tony
Hits ouvia muita música. Atento, foi
acrescentando à sua coleção
as novidades que surgiam, como Tim Maia, Hyldon,
Cassiano e Sandra de Sá. Em 1972, munido
do pequeno acervo de discos que montara, Tony
Hits organizou com dois amigos sua primeira
festa. Sem mixer, sem fone de ouvido e apenas
com uma vitrola, Tony Hits deu
o som na raça. Mesmo sem o aparato que
anos depois passou a integrar a vida dos DJs,
a festa foi um sucesso. A partir dela Tony
Hits conseguiu que a Sociedade Amigos da Vila
Santa Catarina, na zona sul, cedesse espaço
para bailes mensais. Com seus discos, amigos,
aparelhagem rudimentar - mas funcional -, a experiência
do primeiro evento e o espaço para os bailes,
criou sua própria equipe, batizada de "Verde
Amarelo" por sua irmã.
Com
o movimento black power em meados da década
de 70 misturando estilo e comportamento,
e a explosão musical promovida por
James Brown e sua "Sex Machine",
novas bandas foram naturalmente introduzidas
nos toca-discos das festas da época:
Earth, Wind & Fire, Bar-Kays, War, Con
Funk Shun etc. Por causa desse contágio
black, novas equipes surgiram para preencher
a necessidade de novos bailes. |
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Mesmo
pesquisando novidades, Tony Hits
mantinha sua linha calcada na nostalgia, que agradava
a maioria dos freqüentadores de seus bailes.
Assim, hits da época se misturavam a antigos
sucessos internacionais que embalavam o pessoal,
como Brenda Lee, Jimmy Smith, Peres Prado, Johnny
Rivers, Chubby Checker e Stan Getz.
Toda
essa efervecência musical desaguou nos anos
80 com um nome para um estilo que não era
unanimidade nos bailes mas encontrava espaço
nas equipes que preferiam a música negra
para fazer a galera dançar: o samba-rock.
Essa mistura de black, nostalgia e samba-rock
ficou conhecida como "balanço black".
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Em
1984, já com mais de 10 anos de experiência
como DJ de bailes, Tony Hits
resolveu convidar alguns cantores para se
apresentarem durante as festas. Deu oportunidade
para o pessoal que estava começando
o pagode, como Zeca Pagodinho,
Fundo de Quintal e Jovelina
Pérola Negra. Misturados ao samba-rock
tocado por Tony Hits, esses
shows lotavam os salões.
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Com
a fama de seus bailes e todo o conhecimento musical
adquirido durante quase duas décadas como
DJ, Tony Hits resolveu montar,
no começo dos anos 90, um sebo de vinis
especializado em música black e samba-rock.
Desde a abertura, a loja recebeu grandes nomes
da música brasileira e internacional e
celebridades que passaram por lá para prestigiar
essa fonte inesgotável de histórias,
como Afrika Bambaataa, Marky
Marky, Mano Brown, Simoninha,
Ramilson Maia, Bebeto,
Charles Gavin, Jair
Rodrigues, Dudu Marote, Luis
Wagner, Nereu, Fritz, Joãozinho
Carnavalesto, Grupo Art Popular,
Péricles, Elizabeth
Viana, Marisa Orth, Ana
Paula Arósio e muitos outros.
Em
1998 Tony Hits levou ao ar, pela
Rádio Imprensa, o programa "Clássicos
da Nostalgia". Idealizado por Natanael Valêncio
e patrocinado por Marcos Green, trazia também
o DJ Adalto Remix e fez enorme sucesso. Durante
três anos, o programa levou para os ouvintes
de rádio os bons e velhos tempos dos bailes
de samba-rock e nostalgia. Artistas consagrados,
como Paula Lima, Bebeto,
Ciro Aguiar, Luis
Wagner e vários outros, foram entrevistados.
O sucesso foi tanto que montaram a equipe de baile
"Clássicos da Nostalgia", que
se destacou entre as melhores da cidade, fazendo
festas em casas como Club Homs,
Casa de Portugal e Círculo
Militar.
O
reconhecimento por todo esse envolvimento
com a música aparece em revistas
e jornais do Brasil e de outros lugares
do mundo, que publicaram matérias
e entrevistas com Tony
Hits. Também figura no livro
"Todo DJ já sambou", da
jornalista Claudia Assef, que conta
a história dos disc-jockeys brasileiros.
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A
história do envolvimento do Tony com a
música do balanço black por quase
três décadas faz da sua loja uma
área de preservação musical,
o principal centro de resistência e divulgação
do samba-rock, do funk e do soul, ao abrigar raridades
da música brasileira e internacional e
também por reter parte da memória
dos bailes, dos bastidores das festas e das equipes
que, por anos, garantiram os embalos na cidade
de São Paulo. Ao sair da loja, tendo ainda
de passar pelo salão de baile para ganhar
a rua, você se sente como quem foi arrebatado
pela lembrança de uma época ainda
recente, gravada nos relatos do Tony
Hits e nos sulcos de cada um de seus vinis.
"O
sucesso de tudo aqui é porque é
autêntico." - Tony
Hits
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Loja
Tony Hits
A
loja Tony Hits é especializada em vinis
raros e possui um enorme acervo de discos usados,
vendendo todos os estilos musicais, principalmente
samba-rock, jazz, funk, soul e groove.
Breve
neste espaço dicas de vinis raros que você
pode adquirir na loja de Tony Hits.
ENDEREÇO
Avenida Rio Branco, nº 90, nos fundos do
Green Express
Centro - São Paulo - SP
CEP 01206-000
Telefone: (11) 3333-3980

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